Por Dr. José Ronaldo Dias Campos*

Santarém- O que estará acontecendo, neste momento, nos bastidores dos Três Poderes? É razoável imaginar emissários em movimento, mediadores buscando aproximações e intensas tratativas em torno de possíveis entendimentos e acordos, tudo na surdina.
Ao povo, porém, resta aguardar os próximos capítulos. Somente quando as conversas forem concluídas e as decisões tomadas é que, provavelmente, será revelado o que de fato ocorreu longe dos olhos da sociedade e quais compromissos foram firmados.
Espera-se, ao menos, que tudo seja comunicado com a transparência exigida pelo regime democrático. Afinal, o povo não é mero espectador: é o legítimo destinatário da informação e a fonte de todo poder.
Eu continuo duvidando das boas intenções dessa gente.
PROCESSO ÀS AVESSAS
Processo vem do latim processus, derivado de procedere: avançar, caminhar, seguir adiante. No Direito, traduz o encadeamento ordenado de atos destinados à justa e efetiva composição da lide.
Há situações, porém, em que essa lógica parece invertida. Em vez de a decisão resultar do exame imparcial dos fatos, das provas e dos argumentos apresentados, parte-se de uma conclusão antecipadamente concebida e retrocede-se em busca dos fundamentos capazes de sustentá-la. A interpretação dos fatos e a valoração das provas passam, então, a se acomodar ao resultado desejado.
Quando a conclusão precede o caminho, o processo perde sua direção: deixa de conduzir à decisão e passa a ser utilizado apenas para justificá-la. É o processo às avessas.
